Para quem quer descobrir um dos recantos mais encantadores e secretos do Rio de Janeiro — e entender que esta cidade guarda, nos seus jardins e nas suas florestas, uma beleza que rivaliza com qualquer cartão-postal.
Escondido ao pé do Corcovado e emoldurado pela Floresta da Tijuca, o Parque Lage é um daqueles lugares que os cariocas guardam com um carinho quase ciumento — um refúgio de Mata Atlântica densa, fontes, grutas e piscinas naturais que envolve uma das construções mais singulares e fascinantes da cidade.
Um segredo que merece ser descoberto com calma, atenção e o olhar de quem sabe apreciar o extraordinário no detalhe.
A mansão eclética que ocupa o coração do parque foi construída no início do século XX pelo empresário Henrique Lage para a sua esposa, a soprano italiana Gabriella Besanzoni — uma declaração de amor em pedra e jardins que o tempo transformou numa das histórias mais românticas da história do Rio.
Hoje sede da Escola de Artes Visuais, o palacete preserva a sua arquitetura original com uma elegância que impressiona, e o seu pátio interno — com a piscina que reflecte as arcadas e a vegetação — é um dos enquadramentos mais fotografados e mais genuinamente belos da cidade. Arte, história e arquitetura numa combinação que raramente se encontra com esta naturalidade e esta perfeição.
Ao redor, o parque se expande pela encosta do Corcovado numa sucessão de jardins, trilhas e recantos que revelam, a cada passo, uma natureza cada vez mais densa e surpreendente. Grutas cobertas de musgo, piscinas naturais de água fresca, bromélias e orquídeas que pontuam a vegetação e o som constante dos pássaros e das águas que descem a serra compõem uma atmosfera de serenidade e beleza que contrasta, de forma quase irreal, com o Rio que existe a poucos minutos daqui.
E ao fundo, enquadrando tudo com a sua presença serena e imponente, o Cristo Redentor — como se o parque fosse também seu jardim.